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Um dia de safari: o que esperar antes de chegar
É frequente imaginar o safari como um único e interminável game drive (passeio de observação em viatura). A realidade é mais suave e muito melhor desenhada. Um dia de safari tem ritmo próprio e, quando se apanha esse ritmo, a viagem inteira faz sentido: dois períodos de atividade, um meio do dia sossegado e uma noite que acaba por render a melhor conversa da semana. Quem dita o horário são os animais, não o relógio, e um bom guia organiza cada dia em função da luz e do calor.
Este guia acompanha um dia típico de safari na Tanzânia, desde as primeiras pancadinhas na tenda até à última brasa da fogueira. Baseia-se na forma como os game drives decorrem de facto no Serengeti, no Tarangire, no Ngorongoro e noutros parques. Os pormenores mudam com a época, o parque e o alojamento, pelo que as horas devem ser lidas como um exemplo de itinerário de um dia de safari e não como um horário rígido. Em cada dia, quem tem a última palavra é o guia.
É bom saber também o que um dia de safari não é. Não é uma corrida para assinalar animais numa lista, nem uma excursão apressada. Alguns dos melhores momentos são os mais calmos: uma girafa solitária contra um céu cor-de-rosa, uma família de mangustos num termiteiro, uma hora passada a ver uma leoa fazer muito pouco. Com curiosidade e paciência, os dias acabam por render bem mais do que estava planeado.
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O despertar e o primeiro café
A primeira surpresa, para muitos hóspedes, é a hora. O despertar acontece normalmente entre as cinco e meia e as seis da manhã, quase sempre com uma voz suave junto à tenda e um tabuleiro com café, chá e bolachas. Na primeira manhã parece cedo; à terceira já é perfeitamente natural. Convém deixar tudo pronto na véspera: máquina fotográfica carregada, binóculos na mochila e casaco ao alcance da mão, porque o amanhecer nas planícies pode ser mesmo frio, ainda que as tardes sejam quentes.
O ideal é vestir várias camadas. Um velo ou casaco leve tira-se à medida que o sol sobe, e entram o chapéu e os óculos de sol. As cores neutras, como caqui, verde-azeitona e areia, são a escolha sensata, e convém evitar o azul vivo e o preto em zonas de mosca-tsé-tsé. Para quem se pergunta o que vestir num safari, a resposta é roupa simples, confortável e lavável, com calçado fechado e um lenço para a poeira. Uma segunda chávena de café ainda no escuro, com as primeiras aves a cantar, é um dos prazeres discretos de toda a viagem.
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O game drive da manhã e porque o amanhecer é a melhor hora
A maioria das saídas ocorre entre as 6:00 e as 6:30, a tempo de chegar ao parque quando os portões abrem e a luz ainda é suave. O game drive da manhã é a melhor hora do dia para observar animais por uma razão simples: os felinos e outros predadores ainda estão ativos, o ar está fresco e os animais deslocam-se para a água e para as pastagens antes de o calor os mandar para a sombra. Um leão que ao meio-dia é um monte dourado e imóvel pode, às sete, estar a caminhar, a caçar ou a rugir.
A luz também conta, e muito, para quem fotografa. O sol baixo traz cor quente e sombras compridas, e o ar está limpo. Nas terras altas, a bruma pousa por vezes sobre a erva. O guia decide muitas vezes a primeira direção com base no que se ouviu durante a noite: um rugido ao longe, rastos frescos na estrada, abutres a rodopiar no horizonte. A primeira hora pede paciência. Os melhores avistamentos surgem muitas vezes quando já se deixou de esperar por eles, e um troço de estrada calmo pode terminar com um leopardo numa figueira. Vale a pena resistir à tentação de olhar para o relógio: a luz muda de dez em dez minutos, e com ela o ambiente das planícies.
Os horários dos game drives variam consoante o parque e a época, e os portões fecham ao anoitecer, pelo que é preciso estar dentro dos limites do parque ou no acampamento a essa hora. Quanto dura um game drive da manhã? Normalmente entre três e cinco horas, com pausas, e a maioria dos hóspedes regressa ao acampamento a meio da manhã.

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Refeição matinal no mato, pausa do meio-dia e almoço
A refeição matinal no mato é um dos pequenos grandes luxos do safari. O guia para num local sombreado com vista, monta uma mesa e serve ovos, fruta, pão, salsichas, café e sumo diretamente da parte de trás da viatura. Por vezes há animais a observar ao longe, e é um dos poucos momentos em que se pode sair da viatura. É prudente seguir a indicação do guia sobre onde ficar e falar em voz baixa. Alguns acampamentos preferem servir uma refeição matinal completa no lodge, depois do regresso, o que agrada a quem gosta de tomar primeiro um duche.
Segue-se a pausa do meio-dia, que é uma vantagem e não um defeito. Entre as onze e as quatro da tarde, aproximadamente, a maioria dos animais descansa à sombra, e o mesmo vale para os hóspedes. O almoço é servido no acampamento, seguido de sesta, mergulho, leitura, duche ou descanso. É o momento de descarregar fotografias, tirar a poeira e beber água. O sol e o cansaço acabam por cobrar a fatura a quem insiste em atravessar o calor sem parar.
Nos dias em que é preciso percorrer distâncias entre parques, ou num game drive de dia completo, o almoço passa a ser um piquenique no parque. Refeições embaladas, ou uma mesa improvisada na traseira da viatura, são servidas num local de piquenique designado, muitas vezes sob uma árvore e com casas de banho por perto. Não se deixam restos para trás, porque as aves e os macacos aprendem depressa que as pessoas significam comida. No local do piquenique, convém manter os vidros fechados e a comida tapada: um macaco-vervet ou um milhafre esvazia uma caixa de almoço em segundos.
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O game drive da tarde, o sundowner e o regresso ao acampamento
O game drive da tarde começa por volta das três e meia ou das quatro. A luz torna-se dourada, o calor baixa e os animais voltam a mexer-se. Os elefantes seguem para a água, as manadas atravessam a planície, as girafas alimentam-se ao entardecer e os predadores acordam. É uma saída mais suave e mais longa do que a da manhã, e dá muitas vezes as melhores fotografias do dia, com contraluz quente sobre o pó e a erva.
Muitos guias fazem uma pausa para o sundowner, a bebida ao pôr do sol, quando o sol desce. Basta uma bebida fresca, uns petiscos e uma vista tranquila. Onde as regras o permitem, sai-se da viatura e fica-se a seu lado; noutros locais, bebe-se dentro dela. Em qualquer dos casos, é um momento para conversar sobre o que se viu e deixar o dia assentar. É prudente moderar o álcool, porque a manhã seguinte começa cedo e o ar da noite pode ser mais frio do que se espera.
As regras do parque exigem estar dentro dos limites ou fora do parque ao anoitecer, por isso o regresso ao acampamento costuma ser calculado para chegar pouco depois do pôr do sol. No fim da estrada esperam, muitas vezes, toalhas quentes, uma bebida fresca e um duche quente. Depois de um longo dia, esse pequeno acolhimento sabe sempre a generosidade. Dez minutos para se lavar e já é altura de juntar-se aos outros antes do jantar. A melhor conversa da noite é, com frequência, a do avistamento que quase se perdeu.
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Jantar, fogueira e os sons da noite
O jantar é normalmente servido por volta das sete ou sete e meia, numa tenda-refeitório ou num terraço iluminado por lanternas. Os acampamentos reúnem muitas vezes todos em volta de uma fogueira, antes, com bebidas, histórias e um guia que explica o que o dia seguinte pode trazer. Ficar sentado no escuro, a ver as faíscas subirem em direção às estrelas, é o momento em que os avistamentos do dia se transformam numa história partilhada. É melhor avisar a cozinha cedo sobre eventuais restrições alimentares, e a equipa trata do resto.
Depois do jantar, o regresso à tenda faz-se sempre acompanhado, porque os acampamentos não têm vedações e os animais passam por lá. Vale a pena ir a ouvir. Os sons da noite são metade da experiência: hienas a gritar, leões a grunhir ao longe, hipopótamos no rio, o coro agudo de rãs e insetos, o grito seco de um gálago e, por vezes, um elefante a partir um ramo. Os sons próximos não devem causar alarme: os guias conhecem a zona e o acampamento tem rotinas para estas situações. A maioria das pessoas dorme profundamente, ajudada pelo ar fresco e pelo despertar madrugador.
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Como os guias seguem rastos, comunicam e leem o mato
Um bom guia faz a diferença entre ver animais e compreendê-los. Lê rastos no pó, repara nos alarmes das aves e dos macacos, observa o ângulo do pescoço de uma girafa e sabe que árvore o leopardo prefere. Seguir o rasto dos animais é em parte ciência e em parte memória local, e por isso um guia que cresceu junto ao parque encontra muitas vezes o que um motorista de fora deixaria passar.
As viaturas partilham informação por rádio. Quando um guia avista uma chita, os outros podem ouvir e aproximar-se. Há quem ache que isso é batota, mas o ecossistema é imenso e uma rede de olhos encontra muito mais do que um só par. Um bom guia sabe ainda quando não ter pressa, e quando se afastar de um aglomerado para proporcionar um avistamento mais sossegado noutro lugar. Fazer perguntas e dizer o que se gostaria de ver ajuda muito: os melhores game drives são conversas. Os guias vigiam também o tempo, o estado das estradas e o humor dos animais, e tomam decisões discretas durante todo o dia para garantir segurança e conforto. Quando dizem que é hora de seguir, ou de ficar parado, vale a pena confiar.
Num safari privado, com viatura exclusiva, o guia pode ajustar o dia aos interesses do grupo: uma longa espera por um leopardo, uma manhã dedicada às aves ou um ritmo mais lento com crianças. As viaturas partilhadas também funcionam bem, mas o horário é sempre um compromisso. Vale a pena dizer ao guia, logo no primeiro dia, o que mais importa.

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Viaturas, teto elevatório, regras e etiqueta nos avistamentos
A maioria dos safaris na Tanzânia usa uma viatura 4x4, geralmente um Land Cruiser com teto elevatório. O teto levanta-se para permitir ficar de pé e fotografar em todas as direções, e as laterais abrem-se para uma vista desimpedida. Uma boa viatura garante a cada hóspede um lugar à janela e espaço para bagagem, água, uma geleira e uma tomada de carregamento. Entra pó fino, sobretudo na época seca, por isso é prudente envolver as máquinas num pano e levar toalhetes para as lentes, porque a poeira vai parar a todo o lado.
As regras do parque protegem pessoas e animais. Fica-se dentro da viatura, salvo indicação do guia de que é seguro sair, mantêm-se braços e cabeça no interior e nunca se debruça. Nunca se alimentam animais, em circunstância alguma, e não se deixa lixo. Circula-se apenas nos trilhos e respeita-se o limite de velocidade, que ronda os 50 quilómetros por hora (31 milhas por hora) nos principais parques. Passa-se o portão do parque com as licenças em ordem e respeitam-se os horários de abertura e encerramento. Fala-se baixo, desliga-se o motor num avistamento e evitam-se movimentos bruscos.
A etiqueta nos avistamentos assenta na partilha. Os parques desaconselham muitas vezes mais do que um punhado de viaturas em redor de um mesmo animal, e um guia atento espera a sua vez e segue caminho passado algum tempo. Quantas viaturas num avistamento são demasiadas? Como regra, quando já não se vê o animal e este parece desconfortável, há viaturas a mais. Os bons operadores saem cedo de um avistamento concorrido e procuram outro melhor, e a recompensa é quase sempre um momento mais sossegado noutro lugar. Na maioria dos parques não é permitido sair dos trilhos, que são partilhados, pelo que paciência e cortesia mantêm a experiência agradável para todos, animais incluídos.
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Extras opcionais: balão, caminhadas, game drives noturnos e visitas a aldeias
Um safari de balão de ar quente ao amanhecer é o extra clássico. No Serengeti, os voos levantam antes do nascer do sol, deslizam sobre as planícies durante cerca de uma hora e terminam com uma refeição matinal no mato e um brinde na erva. É silencioso, lento e totalmente diferente de uma viatura. Vale a pena reservar com antecedência, porque os lugares são limitados e o vento pode atrasar a partida. Existe muitas vezes uma idade mínima, por isso vale a pena perguntar, no caso de viajar com crianças.
As caminhadas guiadas permitem reparar no que a viatura esconde: rastos, insetos, plantas, o cheiro do mato. As reservas do sul e do oeste, como o Nyerere, são as mais conhecidas para esta atividade, e algumas áreas privadas oferecem pequenas caminhadas guiadas. São conduzidas por rangers armados e as regras são rigorosas. Um game drive noturno não é permitido na maioria dos parques nacionais, mas algumas concessões privadas e zonas fora dos parques principais autorizam-no, e os projetores revelam civetas, genetas, gálagos e, às vezes, leopardos. Vale a pena perguntar ao operador se o alojamento escolhido oferece essa possibilidade.
Uma visita cultural, como o tempo passado numa comunidade massai ou junto das pessoas que vivem perto do Lago Eyasi, acrescenta uma história humana à vida selvagem. Vale a pena escolher visitas organizadas com a comunidade, e não encenadas para a câmara, e chegar com curiosidade e não com a máquina fotográfica à frente. Uma troca respeitosa e sem pressas é sempre melhor do que uma paragem rápida para fotografar. Convém pedir licença antes de fotografar pessoas e deixar que o guia explique previamente os costumes locais.
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Gerir o ritmo de um safari de vários dias e aproveitar bem cada dia
Num safari de vários dias, o segredo é gerir o ritmo. Dois game drives por dia chegam e sobram para a maioria das pessoas, e o descanso entre eles não é preguiça, é bom senso. Os dias de deslocação, com longas viagens entre parques, contam como dias inteiros. As estradas da Tanzânia são irregulares, e um transfer de cinco ou seis horas pode deixar cansaço. Convém prever um dia mais lento a cada três ou quatro e, havendo pouco tempo, ponderar um voo entre parques distantes.
As paragens para ir à casa de banho podem ser combinadas com o guia. Não há casas de banho durante um game drive, por isso o guia para em locais de piquenique, portões e acampamentos, e encontra um sítio discreto quando é preciso. Basta dizê-lo cedo, que ninguém estranha. Convém beber água mesmo quando está fresco, e usar protetor solar e chapéu. Se possível, levar binóculos para cada pessoa, porque partilhá-los atrasa todos.
Para tirar o máximo de cada dia, ajudam alguns hábitos. Convém dormir quando os animais dormem, perguntar ao guia, na véspera à noite, qual é o plano, ter a máquina pronta mas passar tempo a olhar com os próprios olhos e não para o ecrã, e escrever algumas linhas todas as noites, porque os dias misturam-se depressa. Convém lembrar que são muitas vezes as horas calmas, um calau ao almoço, um escaravelho na beira da estrada, uma tempestade sobre as planícies, que depois se contam em casa.
- Carregar máquinas e baterias externas durante a pausa do meio-dia, e não a meio da noite.
- Levar uma garrafa reutilizável, protetor solar, chapéu, bálsamo para os lábios e um lenço leve para a poeira.
- Dizer ao guia quais são as prioridades na primeira manhã e voltar ao assunto passados dois dias.
- Reservar um dia de descanso, ou uma manhã tranquila, nos itinerários mais longos, sobretudo depois de grandes transfers.





